CEP

 

A UTILIZAÇÃO DO CONTROLO ESTATÍSTICO DE PROCESSOS - ESTUDO DE CASO 

| EQUIPAMENTOS DE MEDIÇÃO NÃO CALIBRADOS VS EQUIPAMENTOS DE MEDIÇÃO CALIBRADOS |

Resumo

Nos dias de hoje em que a concorrência entre empresas é feroz, é fundamental que as mesmas detenham processos o mais otimizados possíveis garantindo a qualidade dos produtos e serviços ao mais baixo custo. Assim, a utilização de ferramentas ou metodologias que lhes permitam conhecer o desempenho dos processos, facilitar a deteção de problemas com o objetivo de reduzir a variabilidade introduzida é essencial para garantir a sua competitividade.

O Controlo Estatístico de Processos (CEP), é uma das sete ferramentas da qualidade usada com o propósito de fornecer informações para um diagnóstico mais eficaz na prevenção e deteção de defeitos e problemas nos processos avaliados e, consequentemente, auxilia no aumento da produtividade e resultados da empresa, evitando desperdícios, sendo de máxima importância para a garantia da qualidade da empresa.

Neste estudo, pretende-se discutir/ avaliar a variabilidade introduzida num estudo de capacidade de processo, utilizando cartas de controlo e tendo na base a utilização de equipamentos de medição não calibrados vs equipamentos de medição calibrados.

Keywords: statistical process control, quality, control charts and measuring equipment, calibration.

Ver aqui

Autoria: José Barradas - Consultor, Formador, Auditor nas àreas de qualidade e metrologia. 

 

risco qualidade q4e

 

A gestão de risco nos sistemas de gestão da qualidade (Iso 9001:2015)  

Enquadramento

Na atualidade, as organizações operam num mundo empresarial em que predomina muitas vezes a incerteza nos negócios, seja esta motivada por questões do contexto externo (tais como, por exemplo, os fatores políticos, económicos, sociais, tecnológicos, ambientais e legais) ou questões do contexto interno (tais como, por exemplo, a cultura organizacional e os recursos disponíveis). Neste sentido, recentemente, a International Organization for Standardization (ISO) incorporou na norma ISO 9001:2015 – Sistemas de Gestão da Qualidade (SGQ) o conceito de “pensamento baseado em risco”, no qual está subjacente a necessidade das organizações determinarem os seus riscos e oportunidades, bem como planearem e implementarem ações para tratar os riscos e oportunidades, com o intuito de aumentar a eficácia do SGQ, alcançar melhores resultados e prevenir efeitos indesejados. Ressalve-se, contudo, que o referido conceito já se encontrava implícito nas anteriores edições da norma ISO 9001, em especial, no que se refere à abordagem das ações preventivas como forma de eliminar as não conformidades potenciais. Segundo a ISO (2015), o “risco é o efeito da incerteza e qualquer incerteza pode ter efeitos positivos ou negativos”, sendo que “um desvio positivo que resulte de um risco pode proporcionar uma oportunidade, mas nem todos os efeitos positivos do risco resultam em oportunidades”. De acordo com a ISO (2015), “a organização é responsável pela forma como aplica o pensamento baseado em risco”, sendo que “não há nenhum requisito para métodos formais de gestão do risco ou para um processo documentado de gestão do risco”. Desta forma, a organização terá sempre total abertura para adotar metodologias de gestão do risco simples ou mais extensas, tais como, por exemplo, as preconizadas na norma ISO 31000:2009 – Gestão do Risco (ver ISO, 2009). 

Modelo para Gestão do Risco

Holísticamente, a organização poderá abordar a gestão do risco, no âmbito do SGQ (ISO 9001:2015), tendo por base o modelo proposto na Figura 1. Em termos de premissa geral, importa ter presente que o risco é inerente a todos os elementos do SGQ, isto é, faz parte dos processos, atividades, tarefas e funções da organização, bem como dos próprios produtos e serviços. Neste sentido, o “pensamento baseado em risco” deverá ser transversal a todo o SGQ. No modelo, o enquadramento da organização no seu contexto toma uma posição de destaque, pois permite identificar a incerteza (?) inerente às questões externas e internas, bem como identificar a incerteza (?) inerente aos requisitos das partes interessadas. Por sua vez, o modelo assenta no ciclo PDCA (Plan–Do–Check–Act) elemento este agregador e impulsionador da abordagem ao “pensamento baseado em risco” no âmbito do SGQ. Na etapa Planear (1), a organização perante a incerteza (?) deverá, inicialmente, determinar os riscos e oportunidades (i.e., identificar, analisar e avaliar os riscos em termos dos critérios de aceitabilidade) e, posteriormente, tratar os riscos e oportunidades (i.e., planear ações para evitar, mitigar ou assumir os riscos). A organização sempre que assim desejar pode integrar na sua abordagem métodos formais quantitativos e/ou qualitativos para auxiliar a gestão do risco, tais como, por exemplo, a análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats) ou a análise FMEA (Failure Mode and Effect Analysis), segundo uma abordagem baseada na função do risco (Risco = Consequências x Probabilidade). Na etapa Executar (2), a organização deverá continuar a tratar os riscos e oportunidades (i.e., integrar e implementar o plano de ações) ao nível do SGQ, processos, atividades, tarefas, funções, produtos e serviços. Na etapa Verificar (3), a organização deverá avaliar a eficácia das ações para tratar os riscos e oportunidades que foram planeadas e implementadas anteriormente. Na etapa Atuar (4), a organização deverá ter presente que o “pensamento baseado em risco” visa tornar o SGQ uma ferramenta de gestão eficaz, assim sendo, a organização deverá atuar constantemente em prol da melhoria contínua nos vários níveis do SGQ, com o objetivo de identificar e colmatar todos os focos de incerteza (?) que possam coexistir entre os requisitos e os resultados do SGQ.

risco

Figura 1. Modelo para Gestão do Risco nos Sistemas de Gestão da Qualidade

Notas:

1. International Organization for Standardization. (2015). International standard: ISO 9001:2015 – Quality management systems: Requirements (5th Edition). Geneva, Switzerland: ISO.

2. International Organization for Standardization. (2009). International standard: ISO 31000:2009 – Risk management: Principles and guidelines (1st Edition). Geneva, Switzerland: ISO.

 

 

Autoria: Filipe Carvalho - Consultor, Formador, Qualidade,Ambiente, Segurança e Responsabilidade Social

 

mc q4e

AS PESSOAS COMO MOTOR DA MELHORIA CONTÍNUA 

Vive-se hoje num mundo em constante mudança. As necessidades do mercado mudam e as organizações devem ser capazes de responder ao mercado no tempo certo. O tempo de ciclo de vida dos produtos cada vez menor e o aumento da diversidade obriga a uma flexibilidade muito exigente para as organizações. Aqui entra a melhoria contínua, capaz de fornecer um conjunto de ferramentas que permite responder aos clientes de acordo com as suas necessidades e da forma mais eficiente.

A cultura organizacional assume um papel muito importante na melhoria contínua. A excelência das organizações é alcançada através das pessoas e só com uma liderança forte da gestão de topo é possível o envolvimento de todos os colaboradores para atingir o sucesso dos planos de melhoria contínua. Desde as pequenas empresas às multinacionais é possível transformar a cultura organizacional e seguir o rumo que a empresa precisa para atingir os resultados a que se propõe.

A resistência à mudança surge como um dos principais obstáculos nos programas de melhoria contínua. Acredita-se que as pessoas deverão ser envolvidas e responsabilizadas desde o início dos projetos para que os resultados sejam significativamente melhores. Os colaboradores deverão perceber em primeiro lugar o porquê do projeto, a seguir como se vai fazer e só depois o que se vai fazer.

A explicação do porquê é determinante para que os colaboradores se identifiquem com o projeto e serem eles próprios a dar sugestões e a implementarem as ações definidas. A partir do momento em que as equipas, de uma forma estruturada, comuniquem sobre os problemas e as oportunidades de melhoria da sua área, definam ações, responsáveis e datas para a implementação das ações, a cultura de melhoria contínua está assegurada.

Outro aspeto fundamental para o sucesso dos programas de melhoria contínua é a formação das pessoas nos conceitos e ferramentas Lean. Com formação é possível evoluir continuamente os standards, diminuir desperdícios e tornar os processos mais estáveis e robustos. Acima de tudo, a formação permite a cada colaborador perceber o porquê de utilizar determinada ferramenta e o seu contributo para o sucesso da organização.

É com satisfação que se constata que uma aposta crescente na melhoria contínua permite aumentar a competitividade das nossas empresas. Sempre através das pessoas e com as pessoas.

Autoria: Mariana Gouveia - Gestão de Operações, Melhoria Contínua e Lean

 

system

COMUNICAÇÃO - PROBLEMA OU SOLUÇÃO?

Estamos na era da tecnologia, onde todas as informações podem chegar a todos imediatamente, estejam onde estiverem. No entanto, mesmo com todas estas facilidades a comunicação ainda constitui um grande problema para muitas organizações.

E porquê é que isso acontece? Podemos identificar algumas causas, das quais destacamos: a ausência de um departamento na área; a falta de uma estratégia de comunicação; a resistência à evolução e ao investimento, do qual derivam a falta de informação, o menor envolvimento, e a incorreta utilização dos meios comunicacionais.

Antes de mais é preciso que as organizações vejam a comunicação como uma componente da gestão, como uma ferramenta estratégica para o crescimento organizacional. Mais do que comunicar é preciso comunicar bem, nos timmings certos, com os meios adequados e tendo em conta o público (interno e externo) que é importante para a organização.

Os atuais modelos de gestão, já seguidos por algumas organizações, acabam por constituir um importante meio de apoio à comunicação, ao exigirem um maior envolvimento da organização com seus grupos de trabalho e com a comunidade, adotando a transparência, com base em valores éticos, e uma gestão socialmente responsável. Neste âmbito, a comunicação é estrategicamente pensada para propagar os valores e a cultura da empresa, a sua missão e visão de futuro e ainda, para conferir uma imagem de prestígio.

Ao procurar esta qualidade comunicacional, a primeira coisa que consideramos é a comunicação estabelecida com o público consumidor. No entanto, não podemos descurar a comunicação interna, pois esta acabará por ser o reflexo do que se pretende transmitir ao público externo. Uma comunicação interna bem estruturada e planeada contribui para o melhor desenvolvimento da organização. Quanto mais informados acerca das atividades das suas organizações mais os colaboradores estarão motivados e por conseguinte mais produtivos, contribuindo ainda para uma melhor divulgação da organização.

A comunicação é pois um fator decisivo para a imagem que a organização tem junto dos seus públicos, logo, possuir uma estratégia global de comunicação eficaz e adaptada à sua realidade é fundamental. Uma estratégia bem elaborada permitirá que todos os seus esforços de comunicação sejam coerentes, coesos e contínuos.

Na Q4E a preocupação constante em fazer melhor, em continuar dinâmica, proativa e em crescer juntamente com os seus parceiros, resultou numa aposta na  comunicação, que se revela fundamental para prosperar no mercado competitivo atual.

Assim, o caminho para uma organização de sucesso passa pela aposta na comunicação e como tal devem:

  • Definir metas para a organização;
  • Criar um departamento de comunicação (na ausência de um);
  • Elaborar uma política/estratégia de comunicação tendo em conta as variáveis internas e externas (mercado concorrencial; públicos-alvo; posicionamento; eixos de atuação; objetivos;)
  • Envolver as equipas no desenvolvimento dos trabalhos;
  • Medir a eficácia e eficiência das atividades definidas na estratégia;

Uma comunicação eficaz e eficiente intensifica as relações interpessoais, aproxima os colaboradores da organização, melhora o clima organizacional, e fortalece a imagem e identidade da organização junto do seu público. 

Autoria: Joana Soares - Comunicação Q4E

 

rappelling-755400 1280

SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO - O que deve ter em atenção!

As empresas devem investir em Segurança e Saúde porque, para além de ser uma obrigação legal, garante uma prevenção das doenças profissionais e dos acidentes de trabalho. Desta forma, pretende-se o bem-estar do trabalhador e promove-se o envelhecimento ativo.

As principais vantagens da Segurança e Saúde para as empresas são:

  •  Melhorar a imagem da empresa;
  • Garantir a responsabilidade social;
  • Aumentar a produtividade;
  • Reduzir quebras de produção;
  •  Diminuição do absentismo;

O aumento da produtividade decorre de:

  •  Métodos de trabalho mais seguros;
  • Taxas de Acidentes e Incidentes mais reduzida;
  •  Recrutamento de trabalhadores qualificados.

Nas pequenas e médias empresas, o mau desempenho em Segurança e Saúde do trabalho, que possa resultar em Acidente de Trabalho grave ou mortal, Incêndios ou Ação Judicial, que obrigue a empresa a parar a laboração num período superior a nove dias, leva em sessenta por cento destes casos ao encerramento da empresa.

Tendo em conta estes dados, as empresas devem contratar, de acordo com a legislação, empresas autorizadas pela Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) que prestem serviços na área da Segurança e Saúde. Esta contratação não isenta o empregador das responsabilidades nesta matéria.

O trabalho de prevenção de riscos profissionais deverá ser um trabalho conjunto entre os técnico qualificados contratados, empregador e trabalhadores. Destaco algumas medidas de prevenção de acordo com o artigo 98.º da Lei nº 102/2009, de 10 de Setembro:

  • Planear a prevenção, integrando a todos os níveis e, para o conjunto das atividades da empresa, a avaliação dos riscos e as respetivas medidas de prevenção;
  • Proceder a avaliação dos riscos profissionais, a partir de metodologias e técnicas adequadas aos perigos identificados, integrando a avaliação a todos os níveis da organização e para o conjunto das atividades da empresa e elaborando os respetivos relatórios;
  • Elaborar o plano de prevenção de riscos profissionais, bem como os planos detalhados de prevenção e proteção exigidos por legislação específica;
  • Participar na elaboração do plano de emergência interno, incluindo os planos específicos de combate a incêndios, evacuação de instalações e de primeiros socorros;
  • Colaborar na conceção de locais, métodos e organização do trabalho, bem como na escolha e na manutenção dos locais de trabalho;
  • Supervisionar o aprovisionamento, a validade e a conservação dos equipamentos de proteção individual, bem como a instalação e manutenção da sinalização de segurança;
  • Realizar exames de vigilância da saúde, elaborando os relatórios e as fichas, bem como organizar e manter atualizados os registos clínicos e outros elementos informativos relativos a cada trabalhador;
  • Desenvolver atividades de promoção da saúde;
  • Coordenar as medidas a adotar em caso de perigo grave e iminente;
  • Vigiar as condições de trabalho de trabalhadores em situações mais vulneráveis;
  • Conceber e desenvolver o programa de informação para a promoção da segurança e saúde no trabalho, promovendo a integração das medidas de prevenção  nos sistemas de informação e comunicação da empresa;
  • Conceber e desenvolver o programa de formação para a promoção da segurança e saúde no trabalho;
  • Apoiar as atividades de informação e consulta dos representantes dos trabalhadores para a segurança e saúde no trabalho ou, na sua falta, dos próprios trabalhadores;
  • Assegurar ou acompanhar a execução das medidas de prevenção, promovendo a sua eficiência e operacionalidade;
  • Organizar os elementos necessários às notificações obrigatórias;
  • Elaborar as participações obrigatórias em caso de acidente de trabalho ou doença profissional;
  • Coordenar ou acompanhar auditorias e inspeções internas;
  • Analisar as causas de acidentes de trabalho ou da ocorrência de doenças profissional, elaborando os respetivos relatórios;
  • Recolher e organizar os elementos estatísticos relativos à segurança e saúde no trabalho.

Se cada empresa cumprir e implementar uma boa prevenção, resta sensibilizar todos os intervenientes e garantir o cumprimento destas medidas. Para que o cumprimento seja efetivo é extremamente importante que a gestão de topo da empresa seja um exemplo para todos os trabalhadores.

 Saliento, para finalizar, algumas boas práticas em Segurança e Saúde:

  •   Participação de todos os trabalhadores na identificação e avaliação de riscos profissionais, com visitas aos postos de trabalho;
  •    Avaliação de desempenho;
  •    Implementação de programa de sugestões de melhoria;
  •    Criar um sistema de incentivos anual;
  •    Fazer reuniões para debater as medidas de prevenção e sua aplicação, com periodicidade definida.

Desta forma é possível garantir a existência de postos de trabalho seguros e, acima de tudo, trabalhadores motivados, saudáveis e informados.

Autoria: Isabel Vilar - Técnica Superior de Segurança e Higiene no Trabalho